26 de setembro de 2018

Propaganda fascista e anti-semitismo [ 1946]* Theodor W Adorno

[* Publicado originalmente em Ernts Simmel mc(org.), Anti-semitism: A social disease. Madison: International University Press, 1946. Reproduzido em Gesammelte Schriften Vol. 9, T. I [Soziologische Schriften] Frankfurt: Surhkamp Verlag, 1975, p. 397-407. Traduzido por Francisco Rüdiger.

As observações contidas neste artigo baseiam-se em três estudos realizados pelo Projeto de Pesquisa sobre o Anti-semitismo, patrocinado pelo Instituto de Pesquisa Social na Universidade de Columbia. Os referidos estudos analisam extensa amostra de propaganda anti-semita e anti-democrática, constituída sobretudo de panfletos, publicações semanais e transcrições das palestras radiofônicas feitas por agitadores da costa oeste [dos Estados Unidos]. A natureza dos trabalhos é, primariamente, psicológica, embora muitas vezes toquem em problemas econômicos, políticos e sociológicos.

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30 de agosto de 2018

Foucault: “Face aos governos, os direitos humanos”

Texto de Foucault em face da fuga de emigrantes na Ásia em direção aos países europeus, em fins dos anos 70. Atualíssimo levando em consideração os fluxos atuais, inclusive na América do Sul.

Tradução de: “Face aos governos, os direitos humanos”,Libération, n. 967, 30 junho- 1º julho, 1984, p. 22. (Republicado em Dits et Écrits, tome IV, texte n° 355), por Murilo Duarte Costa Corrêa*

Michel Foucault lera este texto alguns minutos após tê-lo escrito, na ocasião da conferência de imprensa que anunciava, em Genebra, a criação do Comitê Internacional Contra a Pirataria, em junho de 1981. Em seguida, fizera questão de fazer reagir a esse texto o maior número de pessoas possível na esperança de chegar àquilo que poderia ter sido uma nova Declaração dos Direitos do Homem.

“Não somos, aqui, outra coisa que homens privados que não podem falar senão a esse titulo, e a falar juntos, sobre uma certa dificuldade comum à suportar o que se passa.

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27 de janeiro de 2018

A arte de escrever para idiotas

Artigo de Marcia Tiburi e Rubens Casara, publicado inicialmente na revista Cult.

Estamos fazendo piada, mas quando se trata de pensar na forma assumida atualmente pela “voz da razão” temos que parar de rir e começar a pensar.

Artigos ruins e reacionários fazem parte de jornais e revistas desde sempre, mas a arte de escrever para idiotas vem se especializando ao longo do tempo e seus artistas passam da posição de retóricos de baixa categoria para príncipes dos meios de comunicação de massa. Atualmente, idiotas de direita tem mais espaço do que idiotas de esquerda na grande mídia. Mas isso não afeta em nada a forma com que se pode escrever para idiotas.

Diga-se, antes de mais nada, que o termo idiota aqui empregado guarda algo de seu velho uso psiquiátrico. Etimologicamente, “idiota” tem relação com aquele que vive fechado em si mesmo. Na psiquiatria, a idiotia era uma patologia gravíssima e que, em termos sociais, podemos dizer que continua sendo.

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9 de janeiro de 2018

Entrevista com Ha-Joon Chang

Entrevista à Luciana Dyniewicz do Estadão, reproduzida em A Tarde, do economista sul-coreano Ha-Joon Chang, há trinta anos vivendo em Cambridge e lecionando na prestigiadíssima universidade local, conhecido em todo o mundo por seus livros, escritos em linguagem simples, que desmontam as teses da sabedoria inquestionável do “mercado”.


A ex-presidente Dilma Rousseff adotou medidas protecionistas para algumas indústrias, como o IPI (Imposto sobre Produto Industrializado) no setor automotivo. O que deu errado?
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5 de outubro de 2017

Pior que a desonra é a dor de quem não a merece

Discurso proferido pelo ex-senador e advogado Nelson Wedekin. durante a solenidade fúnebre do reitor Luiz Carlos Cancellier no Conselho Universitário da UFSC. Merece profunda reflexão de todos:

“Luiz Carlos Cancellier de Olivo, o Cao, está morto.

Nas estatísticas oficiais a morte de Cao será contada como suicídio.

Mas ninguém se iluda. Mãos visíveis algumas, que podem ser identificadas sem que seja necessário levar ninguém à prisão, e mãos invisíveis, muitas mãos invisíveis, o empurraram das alturas, de modo que os seus ossos se quebrassem, o sangue jorrasse na hemorragia incontrolável, e a vida se extinguisse rapidamente no choque terrível. Instantes depois do baque surdo, o coração cheio de bondade, de tolerância, de respeito ao próximo, parou de bater.

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19 de setembro de 2017

O intolerável é só a intolerância

Texto de NILSON LAGE, jornalista, nascido em 1936, mestre em Comunicação, doutor em Linguística e Filologia. Foi professor adjunto da UFRJ e aposentou-se em 2006 como professor titular do Departamento de Jornalismo da UFSC, após 50 anos de atividade profissional.

Nasci em uma nação formada por três raças tristes às vezes, como agora; de outras vezes, alegres.

Amei negras e índias, menos brancas; nenhuma asiática por falta de oportunidade. O melhor amigo que tive, a quem devo carinho de irmão, é judeu. Estudei russo, embora tenha esquecido a língua; também inglês, francês, espanhol, latim, grego… Salivo com todas as culinárias e culturas humanas, até as que não conheço.

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19 de setembro de 2017

Arte, Cultura e censura

Texto de JOAQUIM ONÉSIMO BARBOSA, professor paraense, doutorando em Sociedade e Cultura na Amazônia na Universidade Federal do Amazonas.

A polêmica que levou ao fechamento da mostra de arte “Queermuseu” no espaço do Santander Cultural mostra que os poucos que entendem – verdadeiramente – de arte têm voz fina diante de um amontoado de vozes berrantes que nada entendem do que acham que pode ser arte e pode ser mostrado. E, na guerra de vozes, vence o que grita mais ou o que pode encher plataformas de robôs para inflar com censura quando lhe falta bons argumentos.

Dizem que a censura se deu por conta do estardalhaço do MBL e de movimentos de fanáticos religiosos – e se foi, eles devem estar achando que venceram – quando na verdade venceram a nossa ignorância e a nossa hipocrisia; perderam a arte e o bom senso.

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19 de agosto de 2017

Prof. Antonio David Cattani

Economista, professor e um dos mais respeitados pesquisadores sobre a concentração de riqueza no mundo, Antonio David Cattani está lançando um novo livro. Em Ricos, podres de rico (Tomo Editorial, 64 páginas), disseca de forma didática e acessível – “sem economês”, salienta – como o aumento da riqueza nas mãos de poucas empresas ou pessoas é um risco à democracia, além de uma ameaça ao próprio capitalismo. “A crise de 1929 foi provocada pelo mesmo fenômeno que estamos observando agora. Em um, dois anos, vamos ultrapassar aquele patamar de concentração. É a crônica de um desastre anunciado”, diz nesta entrevista ao Extra Classe.

Extra Classe – O senhor estuda a concentração de riqueza nas mãos de poucas pessoas há pelo menos dez anos. A que conclusões chegou nesse período?

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11 de agosto de 2017

juízes e Juízes…

Reproduzo abaixo parte do texto da jornalista Claudia Wallin, radicada na Suécia, e está sendo republicado. Autora do livro Um país sem mordomias e excelências, Claudia tocou o projeto especial sobre a vida na Escandinávia para o DCM.

Ab ovo, desde o princípio dos tempos ditos civilizados, quid latine dictum sit altum sonatur, tudo que é dito em latim soa profundo nas egrégias Cortes da Justiça. Mas hic et nunc, neste instante, os linguistas mais perplexos com os atos de auto-caridade praticados pelo Judiciário do Brasil já estarão se perguntando, data venia, se não é chegada a hora de ampliar a definição do conceito de pornografia nos dicionários brasileiros.

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10 de agosto de 2017

E se taxar dividendos?

Reprodução de parte do artigo da professora do Departamento de Economia da FEA-USP, Laura Carvalho, publicado na Folha de São Paulo.

Segundo os dados de 2015 da Receita Federal, os brasileiros com renda média mensal de R$ 135 mil —que representam 0,1% dos declarantes— pagaram alíquota efetiva de IRPF de apenas 9,1%.

Ainda no topo da pirâmide, o 0,9% dos declarantes com renda média mensal de R$ 34 mil pagou 12,4% de alíquota efetiva. Ou seja, a alíquota máxima de 27,5%, que incide sobre rendas superiores a R$ 4.664, não se aplica a boa parte dos rendimentos dos mais ricos.

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