Archive for ‘Filosofia’

7 de janeiro de 2017

Adorno: Educação após Auschwitz

Educação após Auschwitz foi uma palestra transmitida na rádio de Hessen, em 18 de abril de 1965, publicada em Zum Bildungsbegriff der Gegenwart, em Frankfurt, no ano de 1967. Filósofo da Escola de Frankfurt, adepto da Teoria Crítica, traz-nos em Educação após Auschwitz a questão da barbárie humana. O próprio nome do texto faz referencia direta ao principal campo de concentração da Alemanha Nazista. A preocupação exposta no texto por Theodor Ludwig Wiesengrund-Adorno, com as devidas resalvas históricas, parece encaixar perfeitamente no momento atual, tanto do país quanto do mundo 

EDUCAÇÃO APÓS AUSCHWITZ

A exigência que Auschwitz não se repita é a primeira de todas para a educação. De tal modo ela precede quaisquer outras que creio não ser possível nem necessário justificá-la. Não consigo entender como até hoje mereceu tão pouca atenção. Justificá-la teria algo de monstruoso em vista de toda monstruosidade ocorrida.

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6 de abril de 2014

Kant: ensinar a pensar

kant1Espera-se que o professor desenvolva no seu aluno, em primeiro lugar, o homem de entendimento, depois, o homem de razão, e, finalmente, o homem de instrução. Este procedimento tem esta vantagem: mesmo que, como acontece habitualmente, o aluno nunca alcance a fase final, terá mesmo assim beneficiado da sua aprendizagem. Terá adquirido experiência e ter-se-á tornado mais inteligente, se não para a escola, pelo menos para a vida.

Se invertermos este método, o aluno imita uma espécie de razão, ainda antes de o seu entendimento se ter desenvolvido. Terá uma ciência emprestada que usa não como algo que, por assim dizer, cresceu nele, mas como algo que lhe foi dependurado. A aptidão intelectual é tão infrutífera como sempre foi. Mas ao mesmo tempo foi corrompida num grau muitíssimo maior pela ilusão de sabedoria. É por esta razão que não é infrequente deparar-se-nos homens de instrução (estritamente falando, pessoas que têm estudos) que mostram pouco entendimento. É por esta razão, também, que as academias enviam para o mundo mais pessoas com as suas cabeças cheias de inanidades do que qualquer outra instituição pública.

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1 de setembro de 2012

Dois textos de Emil M. Cioran

Os textos de Emil Cioran nos desnudam de nossas certezas, nos faz repensar falsos valores, de forma tão forte que pode parecer ofensivo ao leitor não preparado. Para quem quer se repensar um pouco, sair de seu ponto conforto, trago dois textos neste posto. Boa leitura.

O AUTÔMATO

Respiro por preconceito. E contemplo o espasmo das ideias, enquanto que o Vazio sorri a si mesmo… Não há mais suor no espaço, não há mais vida; a menor vulgaridade a fará reaparecer: basta um segundo de espera.

Quando se percebe existir, experimenta-se a sensação de um demente maravilhado que surpreende sua própria loucura e busca inutilmente dar-lhe um nome. O hábito embota nosso assombro de existir: somos, e vamos além, ocupamos nosso lugar no asilo dos existentes.

Conformista, vivo, tento viver, por imitação, por respeito às regras do jogo, por horror à originalidade.

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7 de agosto de 2012

Michael Sandel: A arte esquecida do debate democrático

Quantos de nós já ouvimos a frase “rouba mas faz”? É a legalização do “bom corrupto”, a eliminação dos preceitos morais/éticos dos debates políticos.

Para relembrarmos um pouco estes princípios um tanto quanto esquecidos pelo eleitor, posto aqui a palestra do TED  (assista no final do post) do filósofo e professor da Universidade de Harvard, Michael Sandel, onde procura promover uma reflexão crítica sobre a maneira como os debates políticos tem sido conduzidos nos últimos tempos e sobre como ideias simples, postuladas por Aristóteles há muitos  séculos, poderiam nos ajudar a recuperar a arte perdida do debate democrático.

Utilizando como exemplos uma distribuição hipotética de flautas, a natureza do golfe e o atual debate sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo (casos

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29 de junho de 2012

Spinoza – Antropomorfismo como redução à ignorância

Por Baruch de Spinoza

Bento de Espinoza (também Benedito Espinoza ou Baruch Spinoza) (24 de novembro de 1632, Amsterdã — 21 de fevereiro de 1677, Haia) foi um dos grandes racionalistas do século XVII dentro da chamada Filosofia Moderna, juntamente com René Descartes e Gottfried Leibniz. Nasceu em Amsterdã, nos Países Baixos, no seio de uma família judaica portuguesa e é considerado o fundador do criticismo bíblico moderno.

Todos os prejuízos que me cumpre indicar dependem de um só, a saber:

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26 de maio de 2012

Douglas Adams – Existe um deus artificial?

Em honra à memória de Douglas, o biota.org apresenta a transcrição de sua palestra no Digital Biota 2, realizada na Magdalene College Cambridge, em setembro de 1998. Fonte: site Bulevoador

Isso foi originalmente anunciado como um debate só porque eu estava um pouco ansioso para vir aqui. Eu não achava que ia ter tempo pra preparar algo e também, em uma sala cheia de tantas notoriedades, eu pensei “o que eu, como um amador, poderia ter pra falar?”

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17 de março de 2012

Immanuel Kant: ensinar a pensar

Espera-se que o professor desenvolva no seu aluno, em primeiro lugar, o homem de entendimento, depois, o homem de razão, e, finalmente, o homem de instrução. Este procedimento tem esta vantagem: mesmo que, como acontece habitualmente, o aluno nunca alcance a fase final, terá mesmo assim beneficiado da sua aprendizagem. Terá adquirido experiência e ter-se-á tornado mais inteligente, se não para a escola, pelo menos para a vida.

Se invertermos este método, o aluno imita uma espécie de razão, ainda antes de o seu entendimento se ter desenvolvido.

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25 de fevereiro de 2012

Genealogia do fanatismo – Emil M. Cioran

Em si mesma toda ideia é neutra ou deveria sê-lo, mas o homem a anima, projeta nela suas paixões e suas demências; impura, transformada em crença, se insere no tempo, adota a forma de acontecimento: o passo da lógica para a epilepsia está consumado… Assim nascem as ideologias, as doutrinas e as farsas sangrentas.

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23 de fevereiro de 2012

Livro “O Relojoeiro Cego” de Richard Dawkins

‘O relojoeiro cego’ se tornou um marco da biologia moderna tão logo foi lançado, em 1986. Empenhado em conquistar novos adeptos para o evolucionismo e para o pensamento científico, Richard Dawkins faz uma defesa vigorosa da visão darwinista e põe a nu as falácias polêmicas do criacionismo. Para o zoólogo, a síntese moderna entre as descobertas da genética e a idéia de seleção natural é capaz de fornecer respostas verificáveis e elegantes para o enigma das origens da vida e das espécies. Dawkins descobre exemplos criativos para explicar que, ao contrário do que tantas vezes se imagina, a seleção natural não ocorre por meio de combinações aleatórias: a sobrevivência é um jogo árduo, de regras estritas e definidas.
Clique na capa para lêr.
12 de novembro de 2011

As sombras do humano – Luiz Felipe Pondé

Interessante análise sobre o ódio humano apresentado no programa Café Filosófico da TV Cultura. Este, com Luiz Felipe Pondé, é o primeiro de um total de quatro episódios que estão com o link disponibilizado abaixo:


As Sombras do humano from cpfl cultura on Vimeo.

2º – O Fundamentalismo Islâmico – Igor Gielow
Fundamentalismo-islamico

3º – O Ódio no Brasil – Leandro Karnal
O-odio-no-brasil-leandro-karnal

4º – A Europa e o ódio ao “outro” – Dante Claramonte Gallian
A-europa-e-o-odio