Archive for ‘Sociologia’

27 de janeiro de 2018

A arte de escrever para idiotas

Artigo de Marcia Tiburi e Rubens Casara, publicado inicialmente na revista Cult.

Estamos fazendo piada, mas quando se trata de pensar na forma assumida atualmente pela “voz da razão” temos que parar de rir e começar a pensar.

Artigos ruins e reacionários fazem parte de jornais e revistas desde sempre, mas a arte de escrever para idiotas vem se especializando ao longo do tempo e seus artistas passam da posição de retóricos de baixa categoria para príncipes dos meios de comunicação de massa. Atualmente, idiotas de direita tem mais espaço do que idiotas de esquerda na grande mídia. Mas isso não afeta em nada a forma com que se pode escrever para idiotas.

Diga-se, antes de mais nada, que o termo idiota aqui empregado guarda algo de seu velho uso psiquiátrico. Etimologicamente, “idiota” tem relação com aquele que vive fechado em si mesmo. Na psiquiatria, a idiotia era uma patologia gravíssima e que, em termos sociais, podemos dizer que continua sendo.

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19 de setembro de 2017

O intolerável é só a intolerância

Texto de NILSON LAGE, jornalista, nascido em 1936, mestre em Comunicação, doutor em Linguística e Filologia. Foi professor adjunto da UFRJ e aposentou-se em 2006 como professor titular do Departamento de Jornalismo da UFSC, após 50 anos de atividade profissional.

Nasci em uma nação formada por três raças tristes às vezes, como agora; de outras vezes, alegres.

Amei negras e índias, menos brancas; nenhuma asiática por falta de oportunidade. O melhor amigo que tive, a quem devo carinho de irmão, é judeu. Estudei russo, embora tenha esquecido a língua; também inglês, francês, espanhol, latim, grego… Salivo com todas as culinárias e culturas humanas, até as que não conheço.

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19 de setembro de 2017

Arte, Cultura e censura

Texto de JOAQUIM ONÉSIMO BARBOSA, professor paraense, doutorando em Sociedade e Cultura na Amazônia na Universidade Federal do Amazonas.

A polêmica que levou ao fechamento da mostra de arte “Queermuseu” no espaço do Santander Cultural mostra que os poucos que entendem – verdadeiramente – de arte têm voz fina diante de um amontoado de vozes berrantes que nada entendem do que acham que pode ser arte e pode ser mostrado. E, na guerra de vozes, vence o que grita mais ou o que pode encher plataformas de robôs para inflar com censura quando lhe falta bons argumentos.

Dizem que a censura se deu por conta do estardalhaço do MBL e de movimentos de fanáticos religiosos – e se foi, eles devem estar achando que venceram – quando na verdade venceram a nossa ignorância e a nossa hipocrisia; perderam a arte e o bom senso.

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11 de agosto de 2017

juízes e Juízes…

Reproduzo abaixo parte do texto da jornalista Claudia Wallin, radicada na Suécia, e está sendo republicado. Autora do livro Um país sem mordomias e excelências, Claudia tocou o projeto especial sobre a vida na Escandinávia para o DCM.

Ab ovo, desde o princípio dos tempos ditos civilizados, quid latine dictum sit altum sonatur, tudo que é dito em latim soa profundo nas egrégias Cortes da Justiça. Mas hic et nunc, neste instante, os linguistas mais perplexos com os atos de auto-caridade praticados pelo Judiciário do Brasil já estarão se perguntando, data venia, se não é chegada a hora de ampliar a definição do conceito de pornografia nos dicionários brasileiros.

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10 de janeiro de 2017

Entrevista com Bauman em 2011

Com Zygmunt Bauman se apaga uma das vozes mais críticas da sociedade contemporânea, individualista e desumana, que definiu como a “modernidade líquida”, aquela em que nada mais é sólido. Não é sólido o Estado-nação, nem a família, nem o emprego, nem o compromisso com a comunidade. E hoje “nossos acordos são temporários, passageiros, válidos apenas até novo aviso”. Essa voz soou lúcida até o fim de seus 91 anos. Escrevia um, dois ou até três livros por ano, sozinho ou com outros pensadores, dava palestras e respondia aos jornalistas em entrevistas em que era preciso escolher muito bem as perguntas, porque as respostas se estendiam por vários minutos, como em uma sucessão de breves discursos. Esses sim, muito sólidos. (El País)

A seguir uma entrevista de Bauman dada a CPFL cultura, em sua casa, na cidade de Leeds, Inglaterra, no dia 23 de julho de 2011.

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5 de janeiro de 2017

Cinema: entrevista de Ken Loach

Entrevista feita ao El País. O filme Eu, Daniel Blake, que estreia nesta quinta-feira nos cinemas do Brasil, é a história de um homem bom abandonado por um sistema mau. Um trabalhador honrado sofre um ataque do coração que o condena ao repouso.


Sem renda, solicita apoio do Estado e se vê enroscado em uma cruel espiral burocrática. Esperas absurdas ao telefone, entrevistas humilhantes, formulários estúpidos, funcionários desprovidos de empatia por causa do sistema. Kafka nos anos de austeridade. Nessa espiral desumanizadora Daniel encontra Katie, mãe solteira de dois filhos, obrigada a se mudar para Newcastle porque o sistema diz que não há lugar para alojá-los em Londres, uma cidade com 10.000 moradias vazias.

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9 de dezembro de 2016

A nova aposentadoria

Texto do professor Fernando Nogueira da Costa, da Unicamp. A reforma proposta pelo governo não eleito e sem legitimidade política na Previdência Social fará o brasileiro trabalhar mais tempo para, em muitos casos, receber uma aposentadoria menor do que a assegurada pelas regras em vigor, se a ala golpista do Congresso aprovar as mudanças. Só não fará isso se houver imensa pressão social contra esses congressistas oportunistas.

A PEC (Proposta de Emenda à Constituição), apresentada no dia 6 de dezembro de 2016, define idade mínima de 65 anos e 25 anos de contribuição como condições para a aposentadoria de todos os trabalhadores, homens ou mulheres, incluindo funcionários públicos.

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20 de setembro de 2016

Discurso Sobre a Servidão Voluntária

etiennePublico aqui o texto (em formato livro) de Etienne de La Boétie que morreu aos 33 anos de idade, em 1563. Deixou sonetos, traduções de Xenofonte e Plutarco e o Discurso Sobre a Servidão Voluntária, o primeiro e um dos mais vibrantes hinos à liberdade dentre os que já se escreveram.

Toda a sua obra ficou como legado ao filósofo Montaigne (1533 – 1592), seu amigo pessoal que, diante de uma primeira publicação – pirata – do Discurso em 1571, viu-se obrigado a se pronunciar a respeito da Obra, que procura minimizar em seus efeitos apodando-lhe o epíteto de “obra de infância” e “mero exercício intelectual”. Montaigne, com todo o seu inegável brilho intelectual, era um Homem do Estado e disso não escapava.

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11 de abril de 2016

Documentário: Ocupação das escola

Fonte original DCM. “Razões nós temos. Nós não somos rebeldes sem causa!” Essa é uma das reflexões feitas pelos jovens secundaristas que ocuparam as escolas públicas estaduais da cidade de São Paulo, no final de 2015, em resistência à autoritária reorganização escolar imposta por Geraldo Alckmin.

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Dezenas de moças e rapazes nas escolas e centenas deles nas ruas enfrentaram com galhardia uma secretaria de educação inflexível e uma força policial violenta durante 26 dias heroicos, iniciados em 06 de outubro de 2015.

O processo foi registrado pelo cineasta argentino Carlos Pronzato e resultou no documentário “Acabou a paz, isso aqui vai virar o Chile”, disponível online.

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4 de abril de 2016

O sistema social na França

A autora deste artigo (publicado no DCM sob o título “Como é o sistema de inserção social na França. Por Mônica Cossalter, de Paris”), Mônica Cossalter, foi bolsista do PRO-UNI do Mackenzie, instituição assustada com as altas performances dos PROUNISTAS. Formou-se em Letras com a nota máxima e fez mestrado na mesma instituição. Hoje é professora-doutura em uma universidade francesa, tradutora e escritora.

Mônica Cossalter

Mônica Cossalter

O Brasil é um país de quase 200.000.000 de cidadãos, palavra que, segundo qualquer bom dicionário significa, “indivíduo no gozo dos direitos civis e políticos de um estado livre”.

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